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Geografias políticas de governança em saúde: regionalização e coordenação federativa no estado do Rio de Janeiro, Brasil

Abstract / Resumen / Resumo

Nas últimas décadas, a consolidação de sistemas nacionais de saúde universais na Amé-rica Latina tem sido acompanhada pela formação de regiões de saúde organizadas em redes integradas de serviços. Esse processo revela grande diversidade de arranjos institucionais e persistentes desafios de coordenação que dificultam a universalização do acesso à saúde em contextos territoriais marcadamente desiguais. O caso brasileiro ilustra essa complexidade: a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) apoiou-se em um modelo de federalismo cooperativo que, embora tenha ampliado o acesso, enfrenta contradições decorrentes das assimetrias entre os entes federativos e da fragmentação regional. Este artigo analisa os processos de regionalização e de governança territorial do SUS a partir de um estudo comparativo das Comissões Intergestores Regionais (CIR) da Metropolitana I e do Médio Paraíba, no estado do Rio de Janeiro. Combinando análise documental, entrevistas com gestores e dados assistenciais do DataSUS, o estudo mobiliza contextos histórico-territoriais e político-institucionais como chaves interpretativas. Os resultados revelam trajetórias contrastantes: enquanto o Médio Paraíba se destaca por práticas cooperativas e coordenação federativa mais estável, a Metropolitana I permanece marcada por fragmentação política e competição interinstitucional. A análise mostra que a eficácia da regionalização depende não apenas de normas, mas também da forma como arranjos territoriais e institucionais se articulam.

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